Blindagens, ângulos e munições dos veículos pesados
Os veículos blindados não se jogam como infantaria com mais pontos de vida. Têm uma guarnição, consomem recursos da força e morrem muito mais por erros de posição do que por inferioridade de blindagem. Este guia explica os princípios, sem tabelas de penetração ao milímetro: esses valores mudam com as atualizações e apresentá-los como verdade absoluta é a forma mais rápida de escrever um guia errado.
Porque é que um tiro ricocheteia
Um projétil perfurante que chega perpendicular à chapa tem as melhores condições para a atravessar. Quanto mais o ângulo entre o projétil e a superfície se afasta da perpendicular, maior é a espessura efetiva que tem de atravessar e mais provável se torna o ricochete. É por isso que uma blindagem inclinada protege mais do que a sua espessura nominal sugere.
Daqui decorrem dois comportamentos práticos:
- Em defesa: nunca apresentar o flanco. Manter o casco ligeiramente angulado em relação ao inimigo aumenta o ângulo de impacto de ambos os lados.
- Em ataque: procurar o alvo o mais plano possível. Um flanco exposto, a traseira ou um veículo em curva são oportunidades; uma frente inclinada à distância é quase sempre um desperdício de munições.
Que munição, e quando
- Perfurante — a única opção contra veículos blindados. Contra infantaria é quase inútil: atravessa e não faz dano de área.
- Explosiva — contra infantaria, posições fortificadas, metralhadoras em cobertura e estruturas. Contra um carro a sério é perda de tempo.
- Fumígena — a munição mais subestimada. Serve para quebrar o contacto quando foi detetado primeiro, para cobrir uma retirada ou para tirar a linha de tiro a uma peça anticarro emboscada.
Quem conduz um veículo pesado deve decidir o tipo de munição antes de virar a esquina, não enquanto o inimigo já está a apontar.
A guarnição conta mais do que o veículo
Um carro pesado com três jogadores coordenados vence quase sempre um carro melhor conduzido por uma pessoa só. A razão é banal: conduzir, observar e disparar são três tarefas que se atrapalham mutuamente.
- Condutor: escolhe o terreno, mantém a angulação do casco e nunca entra numa rua sem uma via de saída já decidida.
- Apontador: pensa apenas no alvo e no tipo de munição.
- Comandante de torre: vigia tudo o resto — minas, infantaria com armas anticarro, flancos a descoberto — e fala.
A infantaria é o verdadeiro perigo
Na maior parte das partidas um veículo pesado não se perde em duelo contra outro veículo, mas por causa de uma carga explosiva colocada por um soldado que se aproximou sem ser incomodado. Daí três regras de sobrevivência:
- Nunca ficar parado numa zona urbana sem infantaria amiga à volta.
- Deslocar-se para a frente e para trás em vez de ficar imóvel, mesmo quando se dispara.
- Tratar cada ângulo morto como ocupado enquanto alguém não disser o contrário.
Reparações e recuperação
Um veículo danificado não é um veículo perdido. Sair do contacto, abrigar-se atrás de uma elevação ou de um edifício e reparar demora muito menos tempo do que esperar que a economia da força permita outro veículo. A decisão difícil é retirar-se enquanto ainda se está a disparar: quase todas as guarnições a tomam com dez segundos de atraso.
Em resumo
- Angular o casco, nunca mostrar o flanco.
- Perfurante para os veículos, explosivo para a infantaria, fumo para sair de apuros.
- Três jogadores a bordo, cada um com uma tarefa.
- Não parar na cidade sem infantaria amiga.
- Retirar-se e reparar antes que seja tarde.